sábado, 28 de outubro de 2017

POESIA PURA

SEM JUÍZO, MAS COM VOCÊ.
Elayne Araújo

Quando te vejo guardo o juízo no bolso, não não é questão de desejo, mas é que esse negócio de pensar demais não é pra mim.

Eu até me "interto", como dizem esses Franciscos do Nordeste, mas  preciso do meu dengo, sou resultado do carinho que me deste. E Nada cancela o meu querer, sem o nosso entre nós como vou viver?

Me diga como pode ser sertão sem sol?
Pois saiba que é assim que me sinto na sua ausência, um peixe machucado por anzol.

Se eu não cuido, morro do coração, doença que se cria enquanto o juízo dormia, EITA arritmia, 
Nunca pensei que de vida se morria.
Então que seja, trago a verdade na mesa. 
sem amor você quer que eu esmureça e perda o tino pra alegria.
Não te julgo por pensar desse modo, mas tente entender eu imploro, esse alguém é como carta enviada pela nobreza, tem valor inestimável o que vem da realeza.

Não me peça pra pensar que não pode, que de não pode a fé morre. E para de dizer não, não e nãos azedam o meu coração.

Ô coisinha choca é ficar sem tu.
Me aflinge o peito, sem você me sinto nú.
É poeira que o vento leva nesse intento do querer
Volta meu chamego, porque é melhor fazer do juízo um prisioneiro do que ficar sem você.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

POESIA DE PROVÍNCIA

TRAJETÓRIA
Zenóbio Oliveira

Me fiz estrada quando bem menino,
E fiz estradas com os meus pés descalços,
Neste chão bruto todos os encalços,
Das penitências deste peregrino.

Nova esperança em cada desatino,
Marcha de fé pelos caminhos salsos,
Alma afligida por amores falsos,
Feridos pés nas farpas do destino.

Perseverei pelas vicissitudes,
Enquanto afoitas minhas atitudes,
Quando os desejos possuíam asa,

E agora no desfecho da viagem ,
Mais dissabor que gáudio na bagagem,
E essa vontade de voltar pra casa.

SONETO

VOLTANDO
Zenóbio Oliveira

Estou voltando, a alma sossegada,
Bem mais que quando me lancei na vida,
O afã no peito na hora da partida,
Torna-se a tempo remanso na chegada.

Foi espinhoso o curso da jornada?
Que prêmio há na escassez da lida?
Não é a sorte a prenda merecida,
Mas o intuito da coisa pelejada.

Pela estrada onde segui errante,
Vivi intensamente cada instante,
Qual fosse de alegria, ou dissabores,

E se a vida me deixou pelos caminhos,
Um imenso rosário de espinhos,
Também me emprestou algumas flores.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Poesia

DECORO
Zenóbio Oliveira

Eu não pertenço ao reino da vontade,
Nem tenho a ilusão de frequentá-lo,
Mas, mesmo sujeito à necessidade,
Não me conforta a estirpe de vassalo.

Não detenho a pejada liberdade,
Para rogar ao rei o nobre halo,
E como seguidor da hombridade,
Não ponho a honra a troco de regalo.

Que a conquista daquilo que anseio,
Não seja à custa do suor alheio,
Tampouco resultado de injustiça.

Que a virtude me seja um benefício,
Pois que não há ao homem maior vício,
Que a traição em nome da cobiça.














sábado, 23 de abril de 2016



Sertanejando

Minha felicidade é verde como a esperança
Zenóbio Oliveira das Aguilhadas

Hoje eu fui contemplar o sertão. Ver de perto o metamorfismo desse ambiente tão vicissitudinário. A casca pálida que descorava a caatinga se esfolou perante o matiz que se estampa agora, trazido pela magia da chuva, como tivesse o campo bebido gotas de arco íris.
Ainda me encanto com o orvalho suando as folhas do marmeleiro. Ah, quanto me faz bem o cheiro de mato molhado, o rumor dos córregos, as pequeninas fontes borbulhantes na beirada dos caminhos, como flores d’água, me sugerindo, desde menino, ser o solo chorando as lágrimas da felicidade.
Tenho a alma recompensada toda vez que avisto o sertanejo, ombreando a enxada, atravessar as poças pelo caminho do roçado, com a mesma fé de quem atravessou o mar em busca da terra prometida.
Sempre me fascinou as feições dos janeiros milagrosos, a generosidade do aguaceiro dos marços botando vida nas sangrias dos açudes.
Como me apraz a visão lilás da floração do feijoeiro, como me conforta a paisagem de uma lavoura bageada enchendo as mãos do homem do campo.
Fico contente ao ver essa fartura estendida em esteiras pelos terreiros de abril.
O que é a alegria senão um punhado de festa na simplicidade dos bichos, e no dueto harmonioso do vento com as árvores?
Diante desse cenário esverdeado do sertão compreendo que a concupiscência emparedou-me o regalo na ilusão de concreto da cidade grande, porém aqui parado, pés desnudados sobre a lama dessas veredas, posso enxergar todos os atributos do meu contentamento e compreender que minha felicidade mora neste chão sublime e que ainda me espera adormecida sob a sombra dessas catingueiras.

Música nordestina

MAIO 68
(Raimundo Sodré - Jorge Portugal)

A última vez
Em que vi esperança foi
Na mesma esquina
Em que me perdi
Havia uma lacrimogênica ilusão
Palavras de ordem Sob a calça Lee.
O estado de graça
De tantas contradições
Nas barbas de Marx ou Khrisnamurti
No livro sagrado
De todas as pichações,
A voz de John Lennon
Na canção de Vladimir
Maio meia oito
Meia vida meio torta
Meio natureza morta
Pode ser... (bis)
Meia liberdade (Nosso sonho) que se solta
Mas não volta
Na meia volta volver
Havia vestígios de hippies e Cohn Bendis
Os punhos cerrados violando o ar
Tropicaetanos, excelsos, travassos, gizs
Em cada cabeça um mundo a mudar
Se somos a soma de tantas subtrações
Outras gerações vão nos multiplicar
O saldo é a semente plantada nos corações, ações
De outras cabeças que possam sonhar.